Já não sinto sincera,
Já não sou mais eterna,
não sou presa nem livre.
Sua palavra é pesada,
E eu me sinto enforcada
num lugar em que nunca estive.
Mas não foi por acaso,
O meu som é o arraso e de fumaça me basta.
Eu me desloco no tempo,
Mas o lugar onde sento
Ainda me queima em brasa.
As ruas estão vazias
(porque o frio entimida)
E minhas bochechas, vermelhas.
E como eu ando sozinha,
Sou alguém que caminha
Para o nada que aconselhas...
Se me vires agora,
Não te pares na hora,
Pois não sabes o que sinto.
Eu cruzei teu caminho,
Mas tu foste mesquinho
E eu não segui o meu instinto.
E se sigo as estradas, isso não me agrada.
Nem teu gesto cortez.
Mas não foi por acaso,
O meu som é o arraso e de fumaça me basta.
Eu me desloco no tempo,
Mas o lugar onde sento
Ainda me queima em brasa.
O teu descaso me assusta,
Em tuas mãos não fui justa
E o teu rosto é temível.
Como essas ruas são escuras,
e esse negro inatingível!
(ao qual pinto com aquilo que não sinto).
Os bolsos são boas casas,
Embora minhas mãos estejam calçadas,
É tempo frio e eu sei.
Se eu tiver agora outra escolha,
Outra chance que me acolha,
Acredite, eu farei.
Mas não foi por acaso,
O meu som é o arraso e de fumaça me basta.
Eu me desloco no tempo,
Mas o lugar onde sento
Ainda me queima em brasa.
Por enquanto, o asfalto.
Já não vejo o céu alto,
Tudo é trêmulo e escuro.
Meu pesar é tremendo,
Mas se não o atendo,
Terei lugar entre a faca e o muro.
Eu carrego a cruz de bom grado,
É meu inferno sagrado
Que qualquer deus me consagrou.
Lamento deixar no cinzeiro
O cigarro que foi meu guerreiro,
Mas que o vento apagou... .
Mas não foi por acaso,
O meu som é o arraso e de fumaça me basta.
Eu me desloco no tempo,
Mas o lugar onde sento
Ainda me queima em brasa.
Essa gente é maldita!
Eu não passo de aflita.
Seu olhar passa... .