domingo, 13 de janeiro de 2008

Certo Elevador Levou-me Longe e Embora.

Do outro lado da praça, eu te vi passar. Devagar, a passos curtos.
Apenas uma rua. Uma rua apenas nos separava, talvez nem isso. Mas eu te vi passar do outro lado, embora você não tenha me visto. E ficou somente nisso.
Eu não corri pra te abraçar, ou contar uma novidade sem importância. Você não me chamou a correr até a sua casa, pra me mostrar uma coisa banal. Eu somente te vi passando, um tanto diferente do que veria em outras épocas - é verdade - e esperei o tempo suficiente para que não nos encontrássemos.
E ainda distante, eu te vi caminhar por entre tanta gente... Tão diferente de todas elas, de alguma forma. O aperto no coração não foi maior do que o do dia anterior. Durou um tempo menor também.
Se a cena durasse mais do que cinco minutos, isso seria surpreendente. Eu mudei a minha rota, só para não te ver. Antes disso, mudaria quantas vezes fossem necessárias, só para te encontrar. E ainda assim, você caminhava a passos curtos. Os pensamentos distantes, muito longe dos meus.
Por fim, você virou a esquina. E desapareceu no meio da multidão. Tanta gente que te teve tão perto na calçada, e não sabia quem era você.
Voltei minha cabeça para onde a tinha deixado. Peguei um ônibus, fui pra casa. Ainda por muito tempo, olhei a calçada por onde você caminhava, mas você não estava mais lá.